São Paulo -
"Eu não tenho nada a ver com isso." É com essas palavras que Roger
Moreira, líder do Ultraje a Rigor, explica a recente discussão que teve
com o ator Bruno Mazzeo. "O problema dele é com o Danilo Gentili. Só que
acabou sobrando para mim."

Na última sexta-feira, Mazzeo escreveu no Facebook que o Ultraje
estaria vivendo "um fim de carreira dramático" por tocar no "Agora É
Tarde", programa de Gentili na Bandeirantes. Roger então respondeu,
também via Facebook, que não estava em fim de carreira e nem vivia
nenhum drama.
"Seria até natural se eu estivesse decadente, mas, ao contrário, acabo
de lançar um disco que está em primeiro lugar entre os mais vendidos no
iTunes. Para falar de decadência, você precisaria, no mínimo, ter estado
no topo um dia. Mas você é garoto, tem chão ainda. Aprenda com seus
erros", escreveu.
Roger já considera o assunto encerrado. "O Bruno escreveu, eu respondi,
ele reconheceu o erro. Pronto, resolvido", contou, em entrevista por
telefone nesta terça após gravar o "Agora É Tarde". "Agora, se ele e o
Danilo têm algum problema, isso é com eles, não comigo."
'Agora É Tarde'
O líder do Ultraje está bastante contente com o seu "emprego fixo" no
programa de Gentili. "Eu estava pensando em me aposentar de fazer shows,
porque não gosto de ficar na estrada, nem de viajar de avião", explica.
"Aí veio esse convite do Danilo. É exatamente o que eu queria neste
momento da minha vida."
Roger e o Ultraje gravam durante a semana. "Temos horário para entrar e
mais ou menos horário para sair. E, para melhorar, o estúdio da
Bandeirantes é perto da minha casa", afirma o cantor, que mora no
Morumbi, ZonaSsul de São Paulo.
Os finais de semana ficam livres para shows. "Mas tem que ser em São
Paulo ou em cidades mais próximas", ressalta. Aos 55 anos de idade e 30
de carreira, Roger quer sossego.
"Quando o primeiro disco do Ultraje estourou, pensei como um jogador de
futebol: 'O sucesso deve durar uns cinco anos, então vamos aproveitar
enquanto há tempo'", brinca. "Mas estamos bem até hoje. Mesmo nos anos
1990, que foram bem ruins para o rock, nós continuamos fazendo muitos
shows, mesmo estando fora da mídia."
Na opinião de Roger, o segredo da longevidade de sua geração é o
idealismo. "A gente fazia o que gostava. Não só o Ultraje - Legião,
Titãs e outros também. Ninguém calculava o que poderia fazer sucesso ou
não."
'O Embate do Século'

Além de tocar no "Agora É Tarde", o Ultraje a Rigor está com um novo
disco na praça. Intitulado "O Embate do Século", o álbum é dividido com o
Raimundos. "Eles tocam músicas da gente, a gente toca músicas deles",
diz Roger. "Foi uma ideia do (produtor) Rafael Ramos, da Deckdisc.
Quando ele sugeriu, eu topei na hora."
O Ultraje toca, por exemplo, canções como "Puteiro em João Pessoa" e
"Eu Quero Ver o Oco". "Eu fiz uma lista de músicas que queria gravar,
que era bem parecida com a lista do Rafael Ramos. A gravação foi bem
rápida, em três finais de semana estava tudo feito. Gravar é fácil,
compor é que dá trabalho."
Só não espere ver uma turnê conjunta de Ultraje e Raimundos para
promover o disco. "Com as gravações do 'Agora É Tarde', não dá para
fazer turnê. No máximo vai haver um ou outro show. Estamos quase
fechando um no Rio de Janeiro no final do ano."
As informações são do repórter Augusto Gomes, do iG